Na última quarta-feira (15/04) peguei um ônibus com destino à AMESPE, seminário teológico no qual estudo. Sentei ao lado de um homem que logo me dirigiu palavras como se fossemos grandes amigos. Confesso que não o olhei, achando aquilo muito estranho, e para evitar que ele continuasse no seu resmungo. Bom, na verdade, aquele homem estava bêbado e além do mais cheirava terrivelmente mal. Senti o desejo de mudar de assento e sair o mais depressa possível de perto dele.O episódio me fez pensar de como nós muitas vezes tratamos aqueles que não se parecem conosco, como eu estava pensando em tratar aquele homem, saindo o mais rápido possível de perto dele. Quem gosta de ficar junto de um homem bêbado e fétido? Creio que ninguém responderia sim. Mas, é aí que começa a questão do amor incondicional de crentes por não-crentes, de “achados” por perdidos, de cristãos por mendigos.
Baseei o tema deste texto no livro “O Príncipe e o Mendigo” de Mark Twain. Nesta história clássica, o mendigo passa a ser o príncipe e o príncipe passa a ser o mendigo. Aí, é quando há uma profunda identificação de um com o outro. Um sentindo na “pele” o que o outro sentia. Um se parecendo com o outro. Será muito diferente o papel de nós como cristãos num mundo conturbado? Não foi exatamente isso que Cristo fez quando desceu da Sua glória e adentrou na nossa humanidade, nascendo como judeu e sentindo como nós nos sentimos?
Não vou dizer que a tarefa aqui em questão vai ser fácil. Iremos nos sentir incomodados, e fortemente tentados a fugir dos “mendigos” do nosso mundo. O mau odor que sentiremos vai nos fazer desejar estar sentados nos jardins do nosso conforto, apatia e indiferença, sentindo o cheiro das flores do nosso egocentrismo. Mas é aí que gostaria de perguntar: Um dia não éramos todos mendigos? Não fomos todos alcançados pelo grandioso amor de um Deus Paterno? Não teria Cristo se feito, de certa forma, mendigo em nosso lugar, fazendo-se pobre, sofrendo as dores de homem e morrendo numa cruz? Creio que quanto mais entendemos a profundeza do sacrifício e renúncia de Cristo, mais estaremos dispostos a andar com “mendigos”. Que Deus nos ajude!
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